quarta-feira, 27 de maio de 2009

RESPOSTA AOS MEUS ALUNOS - BIBLIOLOGIA



1. De onde se originou o vocábulo Bíblia?
Este vocábulo não se acha no texto das Sagradas Escri­turas. Consta apenas na capa. Donde, pois, nos vem? Vem do grego, a língua original do Novo Testamento. É derivado do nome que os gregos davam à folha, de papiro preparada para a escrita - "biblos".
Um rolo de papiro de tamanho pequeno era chamado "biblion" e vários destes eram uma "bíblia". Portanto, literalmente, a palavra bíblia quer dizer "coleção de livros pequenos". Com a in­venção do papel, desapareceram os rolos, e a palavra biblos deu origem a "livro", como se vê em biblioteca, bibliografia, bibliófilo, etc.

2. De que eram feitos os livros antigos (a Bíblia)?
A Bíblia é um livro antigo. Os livros antigos tinham a forma de rolos (Jr 36.2). Eram feitos de papiro ou pergaminho. O papiro é uma planta aquática que cresce junto a rios, lagos e banhados, no Oriente Próximo, cuja entrecas-ca servia para escrever. Essa planta existe ainda hoje no Sudão, na Galiléia Superior e no vale de Sarom. As tiras extraídas do papiro eram coladas umas às outras até for­marem um rolo de qualquer extensão. Este material gráfi­co primitivo é mencionado muitas vezes na Bíblia, exem­plos: Êxodo 2.3; Jó 8.11; Isaías 18.2. Em certas versões da Bíblia, o papiro é mencionado como junco; de fato, é um tipo de junco de grandes proporções. De papiro, deriva-se a nossa palavra papel. Seu uso na escrita vem de 3.000 a.C.
Pergaminho é pele de animais, cortida e polida, utiliza­da na escrita. É material gráfico melhor que o papiro. Seu uso é mais recente que o do papiro. Vem dos primórdios da Era Cristã, apesar de já ser conhecido antes. É também mencionado na Bíblia, como em 2 Timóteo 4.13.

3. Que forma possuia a bíblia antigamente?
A Bíblia foi originalmente escrita em forma de rolo, sendo cada livro um rolo. Assim, vemos, que, a princípio, os livros sagrados não estavam unidos uns aos outros como os temos agora em nossas Bíblias. O que tornou isso possível foi a invenção do papel no Século II, pelos chineses, bem como a do prelo, de tipos móveis, inventada em 1450, pelo alemão Gutemberg. Até então era tudo manuscrito pelos escribas de modo laborioso, lento e oneroso.

4. Quais saõ os nomes mais comuns que a Bíblia da a si mesma?
a) Escrituras (Mt 21.42);
b) Sagradas Escrituras (Rm 1.2);
c) Livro do Senhor (Is 34.16);
d) A Palavra de Deus (Mc 7.13; Hb 4.12)
e) Os Oráculos de Deus (Rm 3.2).

5. A Bílbia é divinamente inspirada. o que isso significa?
Isso significa que a Bíblia é diferente de todos os demais livros do mundo é a sua inspiração divina (Jó 32.8; 2 Tm 3.16; 2 Pe 1.21). É devido à inspiração divina que ela é chamada a Palavra de Deus. (Ver 2 Timóteo 3.16 no original.) - Que vem a ser "inspiração divina"? - Para melhor compreen­são, vejamos primeiro o que é inspiração. No sentido fisio­lógico, é a inspiração do ar para dentro dos pulmões. É pela inspiração do ar que temos fôlego para falar. Daí o di­tado "Falar é fôlego".
Quando estamos falando, o ar é ex­pelido dos pulmões: é o que chamamos de expiração. Pois bem, Deus, para falar a sua Palavra através dos escritores da Bíblia, inspirou neles o seu Espírito! Portanto, inspira­ção divina é a influência sobrenatural do Espírito Santo como um sopro, sobre os escritores da Bíblia, capacitando-os a receber e transmitir a mensagem divina sem mistura de erro.
A própria Bíblia reivindica a si a inspiração de Deus, pois a expressão "Assim diz o Senhor", como carimbo de autenticidade divina, ocorre mais de 2.600 vezes nos seus 66 livros.

6. Dentre muitas teorias que exitem sobre a inspiração da Bílbia. qual é a correta?
é a chamada Teoria da Inspiração Plenária ou Verbal. Ela ensina que todas as partes da Bíblia são igualmente inspiradas; que os escritores não funcionaram quais máquinas inconscientes; que houve cooperação vital e contínua entre eles e o Espíri­to de Deus que os capacitava.
Afirma que homens santos escreveram a Bíblia com palavras de seu vocabulário, po­rém sob uma influência tão poderosa do Espírito Santo, que o que eles escreveram foi a Palavra de Deus. Explicar como Deus agiu no homem, isso é difícil! Se, no ser huma­no, o entrosamento do espírito com o corpo é um mistério inexplicável para os mais sábios, imagine-se o entrosamen­to do Espírito de Deus com o espírito do homem! Ao acei­tarmos Jesus como Salvador, aceitamos também a Palavra escrita como a revelação de Deus. Se o aceitamos, aceita­mos também a sua Palavra.
A inspiração plenária cessou ao ser escrito o último livro do Novo Testamento. Depois disso, nem os mesmos escritores, nem qualquer servo de Deus pode ser chamado inspirado no mesmo sentido.

7. Cite cinco teorias falsas da inspiração da bbíblia.
Quanto à inspiração da Bíblia, há várias teorias falsas, que o estudante não deve ignorar. Umas são muito antigas, outras bem recentes, e ainda outras estão surgindo por aí afora. Nalgumas delas, para maior confusão, a verdade vem junto com o erro, e muitos se deixam enganar. Veja­mos as principais teorias falsas da inspiração da Bíblia.
a. A teoria da inspiração natural, humana, ensina que a Bíblia foi escrita por homens dotados de gênio e força inte­lectual especiais, como Milton, Sócrates, Shekespeare, Camões, Rui, e inúmeros outros. Isto nega o sobrenatural. É um erro fatal de conseqüências imprevisíveis para a fé. Os escritores da Bíblia reivindicam que era Deus quem fa­lava através deles (2 Sm 23.2 com At 1.16; Jr 1.9 com Ed 1.1; Ez 3.16,17; At 28.25, etc.)
b. A teoria da inspiração divina comum ensina que a inspiração dos escritores da Bíblia é a mesma que hoje nos vem quando oramos, pregamos, cantamos, ensinamos, an­damos em comunhão com Deus, etc. Isto é errado, porque a inspiração comum que o Espírito nos concede: a) Admite gradação, isto é, o Espírito Santo pode conceder maior co­nhecimento e percepção espiritual ao crente, à medida que este ore, se consagre e procure a santificação, ao passo que a inspiração dos escritores na Bíblia não admite graus. O escritor era ou não era inspirado,
b) A inspiração comum pode ser permanente (1 Jo 2.27), ao passo que a dos escri­tores da Bíblia era temporária. Centenas de vezes encon­tramos esta expressão dos profetas: "E veio a mim a pala­vra do Senhor", indicando o momento em que Deus os to­mava para transmitir a sua mensagem.
c. A teoria da inspiração parcial ensina que algumas partes da Bíblia são inspiradas, outras não; que a Bíblia não é a Palavra de Deus, mas apenas contém a Palavra de Deus. - Se esta teoria fosse verdadeira, estaríamos em grande confusão, por que quem poderia dizer quais as par­tes inspiradas e quais as não-inspiradas? A própria Bíblia refuta isso em 2 Timóteo 3.16 (ARA). Também em Marcos 7.13, o Senhor aplicou o termo "A Palavra de Deus" a todo o Antigo Testamento. (Quanto ao Novo Testamento, ver João 16.12 e Apocalipse 22.18,19.)

d. A teoria do ditado verbal ensina a inspiração da Bíblia só quanto às palavras, não deixando lugar para a atividade e estilo do escritor, o que é patente em cada li­vro. Lucas, por exemplo, fez cuidadosa investigação de fa­tos conhecidos (Lc 1.4). Esta falsa teoria faz dos escritores verdadeiras máquinas, que escreveram sem qualquer no­ção de mente e raciocínio. Deus não falou pelos escritores como quem fala através de um alto-falante. Deus usou as faculdades mentais deles.

e. A teoria da inspiração das idéias ensina que Deus inspirou as idéias da Bíblia, mas não as suas palavras. Es­tas ficaram a cargo dos escritores. - Ora, o que é a palavra na definição mais sumária, senão "a expressão do pensa­mento"? Tente o leitor agora mesmo formar uma idéia sem palavras... Impossível! Uma idéia ou pensamento inspira­do só pode ser expresso por palavras inspiradas. Ninguém há que possa separar a palavra da idéia. A inspiração da Bíblia não foi somente "pensada"; foi também "falada". (Ver a palavra "falar" em 1 Coríntios 2.13; Hebreus 1.1; 2 Pedro 1.21.) Isto é, as palavras foram também inspiradas (Ap 22.19). Dum modo muito maravilhoso, vemos a inspi­ração das palavras da Bíblia, não só no emprego da pala­vra exata, mas também na ordem em que elas são empre­gadas; no original, é claro. Apenas três exemplos: Jó 37.9 e 38.19 (a palavra precisa); 1 Coríntios 6.11 (ordem das pala­vras no seu emprego).

8. O que é o cânon da Bíblia?
Cânon ou Escrituras canônicas é a coleção completa dos livros divinamente inspirados, que constituem a Bíblia.
Cânon é palavra grega, e significa, literalmente, "vara reta de medir", assim como uma régua de carpinteiro. No Antigo Testamento, o termo aparece no original em passa­gens como Ezequiel 40.5
No sentido religioso, cânon não significa aquilo que me­de, mas aquilo que serve de norma, regra. Com este senti­do, a palavra cânon aparece no original em vários lugares do Novo Testamento: Gl 6.16; 2 Co 10.13; Fp3.16. A Bíblia, como o cânon sagrado, é a nossa norma ou re­gra de fé e prática.

9. Como se deu a canonicidade do Antigo Testamento?
O Cânon do Antigo Testamento foi formado num espa­ço de mais de mil anos (mais ou menos 1046 anos) - de Moisés a Es­dras. Moisés escreveu as primeiras palavras do Pentateuco por volta de 1491 a.C. Esdras entrou em cena em 445 a.C.
Esdras não foi o último escritor na formação do cânon do Antigo Testamento; os últimos foram Neemias e Mala­quias, porém, de acordo com os escritos históricos, foi ele que, na qualidade de escriba e sacerdote, reuniu os rolos canônicos, ficando também o cânon encerrado em seu tem­po.
De acordo com josefo (contra ápio, I,8) e com o talmude, a sucessão de profetas encerrou-se em malaquias noa dias de neemias. Assim registra o talmude: “depois dos últimos profetas, ageu, zacarias e malaquias, o Espírito Santoapartou-se de israel”.
David kimchi (1160 – 1232) e elias levitas (1465 – 1549), ambos estudiosos judeus afirmaram que a saleção final do cânon do Antigo Testamento foi concluída por esdras e os membros da grande sinagoga, no quinto século a.c.

10. como se deu a cononicidade do Novo Testamento?
Como no Antigo Testamento, homens inspirados por Deus escreveram aos poucos os livros que compõem o câ­non do Novo Testamento. Sua formação levou apenas duas gerações: quase 100 anos. Em 100 d.C. todos os livros do Novo Testamento estavam escritos.
O que demorou foi o reconhecimento canônico, isto motivado pelo cuidado e escrúpulo das igrejas de então, que exigiam provas conclu­dentes da inspiração divina de cada um desses livros. Ou­tra coisa que motivou a demora na canonização foi o surgi­mento de escritos heréticos e espúrios com pretensão de autoridade apostólica. Trata-se dos livros apócrifos do Novo Testamento, fato idêntico ao acontecido nos tempos do encerramento do cânon do Antigo Testamento.
vejamos quatro princípios gerais que ajudaram a determinar que livros deveriam ser reconhecidos como cânonicos:
a) o primeiro foi apostolicidade: foi o livro escrito por um apóstolo, ou , senão, tinha o autor do livro um relacionamento tal com um apóstolo de modo a elevar seu livro ao nível dos livros apóstolicos? A última pergunta foi usada especialmentepara determinar a canonicidade do evangelho de marcos, do evangelho de lucas, do livro de atos e da epístola aos hebreus.
b) o segundo foi conteúdo: era o conteúdo de um dado livro de tal natureza espiritual que lhe desse o direito a esta categoria? Com base neste teste muitos dos livros apócrifos e pseudo – apócrifos foram eliminados e os que temos agora permaneceram.
c) o terceiro foi a universalidade: era o livro recebido universalmente na igreja? Foi este o teste que ajudou ainda mais a eliminar os livros indignos, mas ou mesmo tempo ele perpetuou o debate sobre a canonicidade do chamado antilegômena (livros que não foram de inicio reconhecidos como autênticos pelos pais da igreja, foram eles: hebreus, Tiago, 2 Pedro, 2 João, Judas e apocalipse).
d) o quarto foi a inspiração: mostrava o livro evidência de ter sido divinamente inspirados? Este era o teste final; tudo tinha que cair diante dele.

11. O que são livros apócrifos e em que época foram escritos?
A palavra "apócrifo" significa, literalmente, "escondi­do", "oculto", isto em referência a livros que tratavam de coisas secretas, misteriosas, ocultas.
No sentido religioso, o termo significa "não genuíno", "espúrio", desde sua apli­cação por Jerônimo.
Os apócrifos foram escritos entre Malaquias e Mateus, ou seja, entre o Antigo e o Novo Testa­mento, numa época em que cessara por completo a revela­ção divina (periodo interbiblico); isto basta para tirar-lhes qualquer pretensão de canonicidade. Josefo rejeitou-os totalmente.
Nunca fo­ram reconhecidos pelos judeus como parte do cânon hebraico. Jamais foram citados por Jesus nem foram reco­nhecidos pela igreja primitiva.

12. Porque os livros apócrifos foram aprovados pela a igreja romana?
A Igreja Romana aprovou os apócrifos em 18 de abril de 1546, para combater o movimento da Reforma Protestan­te, então recente. Nessa época, os protestantes combatiam violentamente as novas doutrinas romanistas: do Purgató­rio, da oração pelos mortos, da salvação mediante obras, etc. A Igreja Romana via nos apócrifos bases para essas doutrinas, e, apelou para eles, aprovando-os como canônicos.
Houve prós e contras dentro da própria Igreja de Roma. Foi nes­se ambiente "espiritual" que os apócrifos foram aprova­dos! A primeira edição da Bíblia romana com os apócrifos deu-se em 1592, com autorização do Papa Clemente VIII.
Os reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos colocando-se entre o Antigo e Novo Testamen­to; não como livros inspirados, mas bons para a leitura e de valor literário e histórico. Isto continuou até 1629.
A famo­sa versão inglesa de King James,de 1611, ainda os conser­vou. Após 1629, os evangélicos os omitiram de vez nas Bíblias editadas, para evitar confusão entre o povo simples que nem sempre sabe discernir entre um livro canônico e um apócrifo.

13. Quais são os livros apócrifos constantes da bíblia de edição catolica romana?
São 14 os escritos apócrifos: 10 livros e 4 acréscimos a livros. Antes do Concilio de Trento, a Igreja Romana acei­tava todo, mas depois passou a aceitar apenas 11: 7 livros e os 4 acréscimos. A Igreja Ortodoxa Grega mantém os 14 até hoje.

Os 7 livros apócrifos constantes das Bíblias de edição católico-romana são:
1) Tobias (Após o livro canônico de Esdras)
2) Judite (após o livro de Tobias)
3) Sabedoria de salomão (após o livro canônico
4) Eclesiástico (após o livro de Sabedoria)
5) Baruque (após o livro canônico de Jeremias)
6) 1 Macabeu
7) 2 Macabeu (ambos, após o livro canônico de Ma-laquias)
Os 4 acréscimos ou apêndices são:
1) Ester (a Ester, 10.4 - 16.24)
2) Cântico dos três santos filhos (a Da­niel, 3.24-90)
3) História de suzana (a Daniel, cap. 13) e
4) Bel e o dragão (a Daniel, cap. 14)
Como já foi dito, dos 14 apócrifos, a Igreja Romana aceita 11 e rejeita 3, isto, após 1546 d.C. Os livros rejeita­dos são:
1) 3 Esdras
2) 4 Esdras e
3) A oração de manasses
Os livros apócrifos de 3 e 4 Esdras são assim chamados porque nas Bíblias de edição católico-romana o livro de Esdras é chamado 1 Esdras; o de Neemias, de 2 Esras.

14. Quais as linguas originais da Bíblia?
O hebraico e o aramaico para o Antigo Testamento, e o grego para o Novo Testamento, são as línguas originais da Bíblia.
a. O hebraico. Todo o Antigo Testamento foi escrito em hebraico, o idioma oficial da nação israelita, exceto algu­mas passagens de Esdras, Jeremias e Daniel, que foram es­critas em aramaico. A mais extensa é em Daniel, que vai de 2.4 a 7.28.
O hebraico faz parte das línguas semíticas, que eram faladas na Ásia (mediterrânea), exceto em bem poucas re­giões. As línguas semíticas formavam um ramo dividido em grupos, sendo o hebraico integrante do grupo cananeu. Este compreendia o litoral oriental do Mediterrâneo, in­cluindo a Síria, a Palestina e o território que constitui hoje
a Jordânia. Integrava também o grupo cananeu de línguas, o ugarítico, o fenício e o moabítico. O fenício tem muita se­melhança com o hebraico. 0 primitivo alfabeto hebraico é oriundo do fenício, segundo a opinião dos versados na ma­téria. Tudo leva a crer que Abraão encontrou este idioma em Canaã, ao chegar ali, em vez de trazê-lo da Caldéia. Em Gênesis 31.47, vê-se que Labão, o sobrinho de Abraão, vivendo em sua terra, a Caldéia, falava aramaico; ao passo que Jacó, recém-chegado de Canaã, falava o hebraico.
A língua hebraica é chamada no AT "Língua de Ca­naã" (Is 19.18) e "língua judaica" ou "judaico" (2 Rs 18.26,28; Is 36.13). Como a maior parte das línguas do ramo semítico, o hebraico lê-se da direita para a esquerda. O alfabeto compõe-se de 22 letras, todas consoantes. Há si­nais vocálicos, sim, mas não podemos chamá-los de letras.
Sabe-se agora que a forma primitiva dos caracteres hebraicos estava em uso na Palestina 1.800 anos antes de Cristo. Exemplos mais recentes das letras hebraicas há no Calendário de Gézer (950-920 a.C), na Pedra Moabita (850 a.C); na inscrição de Siloé (702 a.C); nas moedas do tempo dos irmãos Macabeus (175-100 a.C), e nalguns fragmentos dos escritos achados junto ao mar Morto, a partir de 1947. Esta forma primitiva do hebraico passou por modificações com o correr do tempo. Após o exílio, teve início a chamada "escrita quadrada", que, por fim, foi pe­los massoretas convertida na atual forma do alfabeto hebraico - uma forma quadrada modificada.
A escrita hebraica dos tempos antigos só empregava consoantes sem qualquer sinal de vocalização. Os sons vo­cálicos eram supridos pelo leitor durante a leitura, o que dava origem a constantes enganos, uma vez que havia pa­lavras com as mesmas consoantes, mas com acepções dife­rentes. Quer dizer, a pronúncia exata dependia da habili­dade do leitor, levando em conta o contexto e a tradição. É por causa disso que se perdeu a pronúncia de muitas pala­vras bíblicas.
Após o século VI, os eruditos judeus residentes em Ti-beríades, passaram a colocar na escrita sinais vocálicos, perpetuando, assim, a pronúncia tradicional. Esses sinais são pontos colocados em cima, em baixo e dentro das consoantes. Os autores desse sistema de vocalização chama­vam-se massoretas - palavra derivada de "massorah", que quer dizer tradição, isto porque os massoretas, por meio desse sistema, fixaram a pronúncia tradicional do hebrai­co. Qualquer texto bíblico posterior ao século VI é chama­do "massorético", porque contém sinais vocálicos. Os mais famosos eruditos massoretas foram os judeus Moses ben Asher; e seus filhos Arão e Naftali, que viveram e trabalha­ram em Tiberíades, na Galiléia.
Além do texto massorético, há outro texto hebraico das Escrituras, o do Pentateuco Samaritano, que emprega, os antigos caracteres hebraicos. É do tempo pré-cristão. São, portanto, dois tipos de textos que temos em hebraico: o Massorético e o Pentateuco Samaritano.

b. O Aramaico é um idioma semítico falado desde 2.000 a.C, em Arã ou Síria, que é a mesma região. {Arã é hebreu; Síria é grego.) Nas Escrituras, o território da Síria não é o mesmo de hoje, o que acontece também com outras terras bíblicas. O primitivo território estendia-se das mon­tanhas do Líbano até além do Eufrates, incluindo Babilô­nia, Mesopotâmia Superior (conhecida na Bíblia por Arã-Naaraim; e Padã-Arã - Gn 25.20), e outros distritos. Era ainda falado numa grande área da Arábia Pétrea.
Os trechos escritos em aramaico são:
o Esdras 4.8 a 6.18; 7.12-26.
o Daniel 2.4 a 7.28.
o Jeremias 10.11.
A influência do aramaico foi profunda sobre o hebraico, começando no cativeiro do reino de Israel, em 722 a.C. na Assíria, e continuando através do cativeiro do reino de Ju-dá, em 587, em Babilônia. Em 536, quando Israel começou a regressar do exílio, falava o aramaico como língua verná­cula. É por essa razão que, no tempo de Esdras, as Escritu­ras, ao serem lidas em hebraico, em público, era preciso in­terpretá-las, para compreenderem o seu significado (Ne 8.5,8).
No tempo de Cristo, o aramaico tornara-se a língua po­pular dos judeus e nações vizinhas; estas foram influencia­das pelo aramaico devido às transações comerciais dos ara-meus na Ásia Menor e litoral do Mediterrâneo. Em 1.000 a.C, o aramaico já era língua internacional do comércio nas regiões situadas ao longo das rotas comerciais do Oriente. O aramaico é também chamado "siríaco", no Norte (2 Rs 18.26; Ed 4.7; Dn 2.4 ARC), e também "caldaico", no Sul (Dn 1.4). Tinha o mesmo alfabeto que o hebraico, diferia nos sons e na estrutura de certas partes gramaticais. Do mesmo modo que o hebraico, não tinha vogais; a partir de 800 d.C, é que os sinais vocálicos lhe fo­ram introduzidos. É muito parecido com o hebraico.
O aramaico foi a língua do Senhor Jesus, seus discípu­los e da igreja primitiva, em Jerusalém. Em Mateus 5.18, quando Jesus diz que a menor letra é o jota (aramaico io­de), Ele tinha em mente o alfabeto aramaico, pois somente neste é que se verifica isto. (A letra iode originou o nosso i). Nos dias de Jesus, o aramaico já se modificara um pouco na Palestina, resultando no "aramaico palestinense", como o chamam os eruditos. Também em Marcos 14.36, o uso da palavra aramaica "abba", por Jesus, é outra evi­dência de que Ele falava aquela língua. Que Ele também falava o hebraico é evidente em Lucas 4.16-20, uma vez que os rolos sagrados eram escritos em hebraico..
O hebraico foi de fato absorvido pelo aramaico, mas continuou sendo a língua oficial do culto divino no templo e nas sinagogas, dos rolos sagrados, e dos rabinos e erudi­tos. Havia escolas de rabinos, inicialmente em Jerusalém, e, depois da queda da cidade, em Tiberíades. Havia esco­las semelhantes noutros centros judaicos. As conquistas á-rabes e a propagação do islamismo em largas áreas da Á-sia, África e Europa, reduziu e por fim destruiu a influên­cia do aramaico. Por sua vez, o hebraico, sendo língua morta, começou a ressurgir. Para que se cumprissem as profecias referentes a Israel, era necessário que a língua re­vivesse e assumisse a posição que hoje desfruta na família das nações modernas.
O aramaico ainda sobrevive numa remota e pequena vila da Síria, chamada Malloula, com a população de 4.000 habitantes.
Devido aos hebreus terem adotado o aramaico como uma língua, este passou a chamar-se hebraico, conforme se vê em Lucas 23.38; João 5.2; 19.13,17,20; Atos 21.40; 26.14; 72
Apocalipse 9.11. Portanto, quando o NT menciona o hebraico, trata-se, na realidade, do aramaico. Marcos, es­crevendo para os romanos, põe em aramaico 5.41 e 15.34 do seu livro; já Mateus, que escreveu para os judeus, escreve a mesma passagem em hebraico (Mt 27.46).
O AT contém, além do hebraico e aramaico, algumas palavras persas, como "tirsata" (Ed 2.63 FIG) e "sátrapa" (Dn 3.2).

c. O Grego. Esta é a língua em que foi originalmente es­crito o Novo Testamento. A única dúvida paira sobre o li­vro de Mateus, que muitos eruditos afirmam ter sido escri­to em aramaico. O grego faz parte do grupo das línguas arianas. Vem da fusão dos dialetos dórico e ático. Os dóri-cos e os áticos foram duas das principais tribos que povoa­ram a Grécia. É língua de expressão muito precisa, e, das línguas bíblicas, é a que mais se conhece, devido a ser mais próxima da nossa.
O grego do Novo Testamento não é o grego clássico dos filósofos, mas o dialeto popular do homem da rua, dos co­merciantes, dos estudantes, que todos podiam entender: era o "Koiné". Este dialeto formou-se a partir das conquis­tas de Alexandre, em 336 a.C. Nesse ano, Alexandre subiu ao trono e, no curto espaço de 13 anos, alterou o curso da história do mundo. A Grécia tornou-se um império mun­dial, e toda a terra conhecida recebeu influência da língua grega. Deus preparou, deste modo, um veículo lingüístico para disseminar as novas do Evangelho até os confins do mundo, no tempo oportuno.
Até no Egito o grego se impôs, pois aí foi a Bíblia tradu­zida do hebraico para o grego - a chamada Septuaginta, cerca de 285 a.C. Nos dias de Jesus, os judeus entendiam quase tão bem o grego como o aramaico, haja vista que a Septuaginta em grego era popular entre os judeus. Nos pri-mórdios do cristianismo, o Evangelho pregado ou escrito em grego podia ser compreendido pelo mundo todo. Só Deus podia fazer isso! Ele não enviaria o seu Filho ao mun­do enquanto este não estivesse preparado, e esse preparo incluía uma língua conhecida por todos. (Ver Marcos 1.15 e Gálatas 4.4.)
A língua grega tem 24 letras; a primeira é alfa e a últi­ma ômega. Quando, em Apocalipse 1.8, Jesus diz que é o Alfa e o ômega, está afirmando que é o primeiro e o últi­mo. Os gregos receberam seu alfabeto através dos fenícios, conforme mostram estudos a respeito.
Ninguém vá supor que por não conhecer essas línguas originais das Escrituras, não compreenderá a revelação di­vina. Sim, o conhecimento e a compreensão dos originais auxiliará muito, mas não é o essencial. Na Bíblia, como já dissemos, vêem-se duas coisas principais: o texto e a men­sagem.
O principal é a mensagem contida no texto. É espe­cialmente a mensagem que o Espírito Santo vitaliza, reve­la e maneja como sua espada (Ef 6.17).

15. Quais as primeiras versões da Bíblia em português?
Como aconteceu em relação a outros idiomas, a Bíblia não foi inicialmente traduzida por inteiro em português. D. Diniz, rei de Portugal (1279-1375), traduziu da Vulgata uma parte do livro de Gênesis. O Rei D. João I (1385-1433) ordenou a tradução dos Evan­gelhos. Esse mesmo rei traduziu os Salmos. Frei Bernardo traduziu o Evangelho de São Mateus no Século XV. Em 1495, a rainha Leonor, casada com D. João II, mandou publicar o livro "Vida de Cristo", uma espécie de harmo­nia dos Evangelhos. Em 1505, a mesma rainha mandou imprimir os Atos e Epístolas Universais.
Agora vejamos as traduções completas.
a) A Versão de Almeida.
João Ferreira d'Almeida foi ministro do Evangelho da Igreja Reformada Holandesa, em Batávia, então capital da ilha de Java, na Oceania. (Batávia é agora a moderna Dja-karta, capital da Indonésia) Java era então domínio holan­dês, conquistada aos portugueses. Almeida traduziu pri­meiro o Novo Testamento, terminando-o em 1670; em 1681 foi ele impresso em Amsterdam, Holanda, isto é, 100 anos antes da primeira edição católica da Bíblia - a de Figueire­do, 1781! Almeida traduziu o Antigo Testamento até Eze-quiel 48.21, quando então faleceu em 1691. Missionários seus amigos completaram a tradução, especialmente Ja-cob Opden Akker. Almeida fez sua tradução do grego e hebraico, línguas que estudou após abraçar o Evangelho. Utilizou também as versões holandesa (de 1637) e a espa­nhola (de Valera, 1602). Seu Antigo Testamento foi publi­cado em 1753, em Amsterdam. A Sociedade Bíblica Britâ­nica e Estrangeira começou a publicar o texto de Almeida em 1809, publicando a Bíblia completa pela primeira vez, em 1819. O texto de Almeida não era muito bom por ele ter deixado Portugal muito cedo e não ter cultura profunda.
O texto de Almeida foi revisado em 1894 e 1925. Em 1951, a Imprensa Bíblica Brasileira (organização batista independente) publicou a "Edição Revista e Corrigida", abreviadamente ARC.
Uma comissão de especialistas brasileiros trabalhando de 1945 a 1955 apresentou recentemente a "Edição Revista e Atualizada" de Almeida (ARA). É uma obra magnífica com linguagem qualificada e de melhor tradução. O NT foi publicado em 1951 e o AT em 1958. A publicação é da So­ciedade Bíblica do Brasil. A comissão revisora compôs-se de 30 elementos dos mais abalizados de várias denomina­ções. Foram membros, figuras como Sinésio Lira, A.C. Gonçalves, Crabtree, R.G. Bratcher, W. C. Taylor. Foi usado o texto grego de Nestle para o NT, e o hebraico de Letteris, para o AT. Fez-se o melhor possível. Há uma co­missão permanente de revisão acompanhando os progres­sos da crítica textual.
Alguns dados pessoais de Almeida. Nasceu em Torre de Tavares, em Portugal, em 1628. Emigrou para a Holanda, e daí seguiu para Java, achando-se aí em 1641. Converteu-se na Igreja Reformada Holandesa em 1642 por meio de um folheto que tratava sobre a "Diferença da Cristandade en­tre a Igreja Reformada e a Igreja Romana". Casou-se em 1651 com a filha de um pastor. Foi ordenado ao santo mi­nistério em 16 de outubro de 1656. Aprendeu grego e hebraico e começou a traduzir o Novo Testamento, tendo como base o "Textus Receptus" dos irmãos Elzevirs, segunda edição de 1633. Faleceu em 6 de agosto de 1691. A Igreja Católica, através do tribunal da Inquisição, quei­mou-o em estátua, em Gôa, antiga possessão portuguesa na índia. A Igreja Romana, nem mesmo agora, no chama­do Ecumenismo, se desculpou de tais coisas...

b) A Versão de Figueiredo.
O padre Antônio Pereira de Figueiredo, português, le­vou 17 anos no preparo de sua versão. Publicou o NT em 1781 e o AT em 1790. É tradução da Vulgata. Foi um dos maiores latinistas do seu tempo. Desde 1821, a SBBE publica o texto de Figueiredo. O texto atual publicado pela SBBE é superior ao primitivo.

c) A Tradução Brasileira. Começou em 1904, por uma comissão de vultos do evangelismo brasileiro, nomeada pela SBA (Sociedade Bíblica Americana) e SBBE (Socie­dade Bíblica Britânica e Estrangeira). Entre outros, foram membros da comissão: Antônio Trajano, Eduardo Carlos Pereira e Hipólito de Oliveira Campos. O NT foi publicado em 1910 e o AT em 1917. A tradução é mui fiel ao original. Há muita rigidez na tradução. Falta-lhe a beleza de estilo e a segurança vernacular, porque a tradução é literal, e não à base da equivalência dinâmica, como se diz em lingüísti­ca.

d) A Versão de Rhoden. Consta só o NT. Era padre bra­sileiro de Santa Catarina, quando da tradução. Começou o trabalho como estudante, na Alemanha, em 1924-1927, concluindo-o no Brasil. Foi publicada em 1935. Este padre deixou a Igreja Romana. É versão muito usada para estudo comparativo e crítica textual. O texto grego usado foi o de Nestle.

e) A Versão de Matos Soares. Também padre brasilei­ro. Traduziu a Vulgata. Concluiu a tradução em 1932, mas só em 1946 foi publicada. É a Bíblia popular dos católico-romanos brasileiros.
A versão carece de fidelidade. Como todo tradutor católico, nota-se em Matos Soares precon­ceitos e tendências, especialmente nos itálicos, que às ve­zes tem texto maior que o próprio original. O Papa é coni­vente nisto, conforme sua carta do Vaticano de 1932.

16. O que hermêutica e qual a sua importancia na interpretação bíblica?
As dificuldades da Bíblia situam-se no campo da Her­menêutica Sagrada.
Hermenêutica é o estudo das leis e princípios de inter­pretação das Sagradas Escrituras, para se chegar ao sentido do texto bíblico.
O termo "hermenêutica" significa literalmente "inter­pretar" e deriva do vocábulo grego "Hermes", um dos chamados deuses da antiga mitologia grega, porta-voz dos deuses e protetor dos viajantes. Era o deus do co­mércio e dos comerciantes.
O termo grego "Hermes", corresponde ao latino "Mer­cúrio", palavra esta derivada de "merx", mercado, co­mércio, e aparece em Atos 14.12, ligado ao evento ocor­rido em Listra, na Ásia Menor, quando os habitantes dessa cidade, vendo um milagre operado por meio de Paulo, julgaram-no um deus, chamando-o de Mercú­rio.
No paganismo romano, Mercúrio era filho de Júpiter, também mencionado em Atos 14.12. Júpiter era chefe dos deuses no Panteão Romano. (Júpiter, corresponde ao falso deus grego, Zeus).
Passagens históricas da Bíblia, como Atos 14.12, preci­sam ser encaradas no contexto histórico da sua época.
A Bíblia foi tecida no tear da História, e não pode ser realmente compreendida se o leitor ignorar os aconteci­mentos e as circunstâncias que a cercam, como por exemplo, a igreja primitiva e seu lugar no mundo gre-co-romano.

17. Cite algumas aparentes contradições da Bíblia?
Exemplos:
a. Gênesis 46.27 e Atos 7.14
Gênesis 46.27 afirma que todos os descendentes de Jacó que foram ao Egito, somaram 70 pessoas. Atos 7.14 afirma que eram 75 pessoas.
A casa de Jacó era de 70 pessoas (Êx 1.5).
A esse nú­mero precisamos somar 5 netos de José (que já esta­vam no Egito). Dois eram filhos de Manasses: Maquir e Gileade (Nm 26.29).Três eram filhos de Efraim: Sutela, Bequer, Taã (Nm 26.35).
b. Números 25.9 e 1 Coríntios 10.8
Aqui se trata de um juízo divino que ceifou milhares de israelitas. 1 Coríntios 10.8 afirma que morreram 23.000 pessoas. Números 25.9 fala de todos os que morreram daquela praga 24.000
c. 1 Reis 8.12 versus 1 João 1.5
1 Reis 8.12 declara: "O Senhor disse que habitaria nas trevas".
1 João 1.5: declara que "Deus é luz, e não há nele treva nenhuma".
1 Reis 8.12: fala de trevas no sentido de inescrutabilidade, mistério, infinitude.
1 João 1.5 :fala de trevas no sentido moral.
d. 1 João 2.15 e João 3.16
Em 1 João 2.15. (gr "kosmos") Aqui a Bíblia adverte: "Não ameis o mundo nem o que no mundo há. Se al­guém ama o mundo o amor do Pai não está nele". João 3.16. (gr "kosmos") Aqui a Bíblia afirma que "Deus amou o mundo".1 João 2.15 fala de "mundo" como um sistema de vi­da, sob a influência diabólica.João 3.16 fala do "mundo" no sentido de "humanida­de".
e. Ezequiel 20.25
Aqui se nos diz que Deus deu a Israel estatutos que não eram bons.O sentido é que Deus permitiu que os captores de Is­rael, durante o cativeiro baixassem leis para Israel que não eram boas para eles. Essas leis não eram a lei de Jeová, como a vemos na Bíblia.
f. Mateus 27.9
Aqui está escrito: "Então se realizou o que vaticinara o profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de pra­ta, preço do que foi avaliado, preço que certos filhos de Israel avaliaram". Ocorre que a profecia acima, encontra-se em Zacarias 11.12,13 e não em Jeremias.Certamente Jeremias profetizou, e Zacarias escreveu. Ou então Zacarias recebeu profecia idêntica.